Como um corte tão pequeno quanto a fissura anal pode causar uma dor tão intensa, a ponto de a pessoa faltar ao trabalho? A resposta está em um ciclo biológico que envolve inflamação, espasmo muscular e isquemia (falta de oxigenação). Neste artigo, explico por que essa dor é tão forte — e como quebrar esse ciclo.
A fissura não é “só um corte”
A fissura é uma pequena ferida na borda do ânus, mas a dor que ela provoca é desproporcional ao tamanho. Isso acontece porque a região é muito rica em terminações nervosas e porque a ferida fica num ponto que se movimenta a cada evacuação. Entenda as origens em causas de fissura anal.
O ciclo da dor: espasmo + isquemia
Aqui está o coração do problema:
- A dor faz o esfíncter “travar” em espasmo, numa tentativa de proteger a região;
- Esse aperto reduz a circulação de sangue (isquemia) que chega à ferida;
- Sem oxigenação adequada, a fissura não cicatriza — e a dor mantém o espasmo.
É como uma cãibra constante sobre uma ferida aberta. Esse círculo vicioso explica por que a fissura crônica insiste em não fechar — tema que detalho em fissura anal crônica.
Por que a dor às vezes piora após evacuar?
A passagem das fezes “estica” a ferida e dispara o espasmo, gerando uma dor que pode durar horas. Explico esse padrão específico em por que a dor da fissura piora depois de evacuar e em dor após evacuar.
Como quebrar o ciclo da dor
O tratamento mira justamente em relaxar o esfíncter e restaurar a circulação, permitindo a cicatrização:
- Medidas clínicas: fibras, hidratação, banhos de assento e pomadas que relaxam a musculatura — veja como tratar a fissura anal;
- Botox e laser no consultório: relaxam o músculo e estimulam a cicatrização — detalho no tratamento no consultório com Botox e laser;
- Cirurgia em casos selecionados, incluindo a técnica a laser.
O panorama completo está em tratamento de fissura anal.
Perguntas frequentes
Por que a fissura dói mais que uma hemorroida?
Porque envolve um ciclo de espasmo e isquemia numa região muito inervada — a dor é “neuromuscular”, não apenas da ferida.
A dor da fissura tem cura?
Sim. Quebrando o ciclo espasmo-isquemia, a ferida cicatriza e a dor cede.
Banho de assento ajuda na dor?
Sim, ajuda a relaxar a musculatura e aliviar o espasmo, como parte do tratamento.
Conclusão
A dor intensa da fissura anal não é exagero: é o resultado de um ciclo de espasmo e isquemia. A boa notícia é que, ao relaxar o músculo e melhorar a circulação, é possível interromper esse círculo e cicatrizar.
Sofrendo com essa dor? Atendo em São Paulo e Belo Horizonte. Agende sua consulta.
Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Marcelo Werneck — Coloproctologista. CRM-MG 44832 | RQE 25133 · CREMESP 210383 | RQE 109479.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) — sbcp.org.br
- MSD Manuals — Fissura anal — msdmanuals.com



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