Fissura anal é um corte (feridinha) na borda do ânus que costuma doer muito ao evacuar e pode sangrar. Na maior parte das vezes, surge após fezes mais duras, esforço repetido ou irritação local, e melhora com medidas simples. O ponto de atenção é quando a ferida não cicatriza, volta sempre ou apresenta sinais fora do padrão. Nesses casos, precisamos diferenciar fissura típica de fissura atípica.
Leitura importante: este conteúdo é educativo e não substitui avaliação médica. Se você tem dor persistente, sangramento frequente, secreção ou febre, procure um coloproctologista.
O que é fissura anal e por que ela causa tanta dor
A fissura é uma ferida no canal anal. Essa região é muito sensível e tem um músculo (esfíncter) que pode entrar em espasmo e ficar travado. Isso aumenta a dor e piora a cicatrização. Por isso, muita gente sente dor forte na evacuação, ardor depois e passa a evitar o banheiro, o que piora ainda mais o intestino.
Se você já tentou tratar e não melhorou: veja Fissura anal que não melhora com pomada: o que fazer.
Fissura anal típica: causas e evolução
A fissura típica, na grande maioria das vezes, nasce de trauma local. O exemplo clássico é fezes endurecidas. Também pode aparecer após diarreia intensa, esforço repetido e hábitos no banheiro que irritam a região.
Quando vira crônica, pode surgir plicoma (prega de pele), papila interna e bordas mais elevadas, além de hipertonia do esfíncter. O tratamento foca em corrigir o intestino, reduzir espasmo e permitir cicatrização. Um recurso que pode aliviar o desconforto em muitos pacientes é o banho de assento com técnica correta.
Banho de assento: indicações e como fazer do jeito certo
Fissura anal atípica: quando o problema não é só trauma
A fissura atípica é aquela em que a persistência não se explica apenas por fezes duras, esforço ou irritação local. Ela pode até ter começado como típica, mas não cicatriza por outra razão, como inflamação sistêmica, infecção, baixa imunidade ou outras condições associadas.
O problema de tratar “só a ferida” nesses casos é que o plano tende a falhar e o diagnóstico pode atrasar.
Localização e sinais de alerta: 7 pontos práticos
Na consulta, alguns achados levantam suspeita de fissura atípica. Aqui vão 7 sinais que merecem atenção:
- Localização lateral (fora da linha mediana).
- Múltiplas fissuras ao mesmo tempo.
- Secreção persistente.
- Fundo irregular ou aspecto fora do padrão.
- Inchaço/endurecimento desproporcional na borda da lesão.
- História clínica sugestiva que peça investigação adicional.
- Falha repetida de tratamento bem orientado.
Esses sinais não fecham diagnóstico sozinhos. Eles orientam a investigação e evitam tratamentos inadequados.
O que pode estar por trás de uma fissura atípica
Entre as possibilidades avaliadas pelo especialista, podem entrar doenças inflamatórias intestinais (como Crohn), estados de imunossupressão e infecções que alteram o padrão da lesão, além de outras causas menos comuns. O raciocínio é: se algo está impedindo a cicatrização, o tratamento precisa mirar a causa, não só a ferida.
Tratamento: o que costuma funcionar na típica e o que muda na atípica
Na fissura típica, a base é ajustar o intestino, melhorar hábitos no banheiro, aliviar espasmo e tratar a dor. Pomadas podem ajudar quando bem indicadas, mas não substituem a correção da causa principal.
Pomada para fissura anal é realmente eficiente? Entenda
Na fissura atípica, o tratamento depende do diagnóstico. Por isso, insistir em intervenções locais sem clareza da causa costuma falhar e pode atrasar o cuidado certo.
Por que operar fissura atípica pode piorar o quadro
Em fissuras típicas, cirurgia pode ser considerada quando o tratamento clínico falha, sempre com avaliação criteriosa. Já na fissura atípica, operar a ferida sem tratar o que está por trás pode impedir a cicatrização e manter dor e inflamação. Além disso, algumas condições podem se confundir com fissura em fases iniciais. Quando há secreção persistente e sinais fora do padrão, o especialista também avalia diagnósticos diferenciais, como fístula.
Tratamento de fístula a laser: guia definitivo da técnica
Como é a avaliação no consultório
A avaliação começa pela conversa (história dos sintomas e do intestino) e pelo exame proctológico, feito com cuidado e respeitando a dor do paciente. Em crises muito dolorosas, o exame pode ser adaptado e realizado em etapas. Quando há sinais de alerta para fissura atípica, o médico pode indicar exames para esclarecer a causa e direcionar o tratamento correto.
Sinais para buscar ajuda mais rápido
- Dor muito intensa ou que não melhora em poucos dias.
- Sangramento frequente ou em grande quantidade.
- Secreção, mau cheiro, febre ou piora rápida.
- Lesão que volta sempre ou falha repetidamente com tratamento bem orientado.
FAQ: dúvidas comuns sobre fissura anal
1) Fissura anal sempre sangra?
Não. Em alguns casos, o principal sintoma é dor e ardor, com pouco ou nenhum sangue.
2) Pomada resolve fissura anal?
Pode ajudar, mas precisa estar dentro de um plano completo. Se a fissura for atípica ou o intestino seguir desregulado, tende a falhar.
3) Como eu sei se é típica ou atípica?
Pelos sinais do exame e pela história clínica. Localização lateral, múltiplas lesões, secreção e falha repetida de tratamento são alertas para investigar.
4) Banho de assento funciona?
Pode aliviar desconforto em muitos pacientes, principalmente quando associado ao tratamento orientado.
5) Quando devo procurar o médico?
Quando a dor é intensa, quando há sangramento frequente, secreção, febre ou quando a fissura não melhora como esperado.
Fonte externa confiável: para leitura complementar, veja também a Mayo Clinic sobre anal fissure (sintomas e causas).
Precisa de avaliação? Se você convive com dor anal, sangramento ou suspeita de fissura anal, o ideal é confirmar o diagnóstico e montar um plano individualizado. Uma consulta com coloproctologista ajuda a diferenciar fissura típica de atípica e evitar tratamentos que não resolvem.



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